Root Capital abre as portas para lucrar com créditos em atraso
Carolina Mandl, de São Paulo | Valor online
03/05/2010
De olho na expansão das vendas a prazo no Brasil, uma nova gestora de recursos com foco exclusivo na recuperação de créditos podres está sendo criada, a Root Capital. Depois de comandar a gestão de diversos fundos de créditos podres na gestora Arrowgrass, na Inglaterra, o brasileiro Rafael Fritsch decidiu retornar ao país para iniciar o mesmo tipo de atividade. "Eu me surpreendi com a recente expansão de crédito no país, que vai gerar carteiras maiores de inadimplência", avalia ele.
Desde dezembro, um fundo de R$ 20 milhões de recursos dos próprios sócios da empresa já está sendo gerido, o RC Root Capital I. Nas próximas semanas, a gestora deve abri-lo para clientes, com expectativa de captar de R$ 400 milhões.
Os recursos desse fundo foram aplicados em papéis de dívida de empresas que tiveram problemas para pagá-los, mas com a previsão de quitá-los em questão de meses. "É uma aplicação que privilegia a liquidez", explica Fritsch, que é filho do economista Winston Fritsch, ex-Banco Central, Rio Bravo e Lehman Brothers no Brasil. No primeiro trimestre do ano, o fundo acumulou uma rentabilidade de 4,78% ante 2,02% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI).
Nos próximos meses, Fritsch pretende fazer o registro de mais dois fundos na Comissão de Valores Mobiliários. Um deles, também de R$ 400 milhões, terá como alvo créditos podres de mais longo prazo. Segundo o gestor, serão incluídas as dívidas de empresas em recuperação judicial, hipotecas e carteiras de bancos, por exemplo. A previsão é que o retorno desse fundo só se dê em um horizonte de cinco anos. O outro fundo será exclusivo, destinado a um único cliente cujo nome Fritsch não revela.
Hoje a Root tem como sócio, além de Fritsch, um investidor que compra participações em empresas da área financeira, a Financial Investimentos.
A gestão de créditos podres é um negócio novo no Brasil. No passado, foi explorado por grandes bancos estrangeiros que acabaram desistindo do negócio. Hoje, ganham espaço empresas mais especializadas, que conhecem melhor os meandros dos créditos inadimplentes no Brasil, como Credigy, Vision e Polo Capital. Segundo projeções da consultoria KPMG, esse tipo de papel deve movimentar R$ 20 bilhões neste ano.
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